Revista Acontece Sul

ARTE URBANA: QUANDO A RUA É A GALERIA

Por Arte - Silvana Boone em Diversos - sexta, 18 de agosto de 2017

Sem buscar um conceito formal sobre o termo arte urbana, pode-se entender que seja considerada como as diversas manifestações artísticas que acontecem na rua, como o grafite, os lambe-lambes e até mesmo a pichação, em alguns casos. Desde os anos 1960, a partir de ações ocorridas principalmente no cenáriode Nova York, a arte urbana caminha de forma paralela ao que oficialmente se constitui como “arte”.
Posteriormente, a partir da notoriedade de alguns artistas americanos como Jean Michel Basquiat e Keith Haring, a arte de rua começou a ganhar espaços reconhecidos no universo da arte e após meio século, a arte urbana passa a ocupar os espaços das galerias de arte e dos museus de arte contemporânea em diversas partes do mundo. Contraditório, ou não, a rua deu visibilidade para muitos artistas que hoje ocupam paredes internas e não apenas externas e, muitas vezes, até distantes da rua.
Esta reflexão inicial vem destacar o trabalho de um jovem artista gaúcho, Xadalu, que ao longo dos últimos anos tem visto seu trabalho ser valorizado pelo público “da rua” e mais recentemente, pela crítica de arte que tem percebido que o muro é uma grande vitrine para manifestações intelectuais e críticas sobre a sociedade em que se vive e seus personagens.
Dione Martins da Luz (Alegrete, 1985), atua desde 2004 como Xadalu, e recentemente, em 2016, causou curiosidade aos moradores de Caxias do Sul, trazendo pela primeira vez, os seus lambe-lambes colados nos muros da cidade, a fim de manifestar o seu olhar crítico sobre uma parte da sociedade que muitas vezes parece não ser percebida. Através de lambes de uma série intitulada “Seres invisíveis”, Xadalu questionou a visibilidade da crianças indígenas que percorrem as ruas das cidades, bem como suas tribos, que de certa forma, também têm nas ruas a sua vitrine: objetos de artesanato são comercializados por essas crianças com o objetivo de manter viva a tradição indígena e ao mesmo tempo, dar o sustento aqueles que num tempo bastante distante, eram os verdadeiros donos da terra.
Xadalu criou um ícone visual para representá-lo pelo mundo, mesmo onde ele ainda não chegou pessoalmente: a ilustração do indiozinho estampado nesta página, sobreposto à foto da criança indígena, já percorreu grandes cidades através dos stickers (adesivos) colados em postes, paredes e muros espalhados por mais de 60 países. Em agosto, as fotografias dos indígenas que são a referência de Xadalu, poderão ser conferidas em exposição no Campus 8. Recentemente, o artista informou que passou a ser representado pela Bolsa de Arte, uma das grandes galerias de arte do país, com sede e Porto Alegre e São Paulo. 
Portanto, percebe-se a arte chegar ao público e promover novos olhares de diferentes formas: da rua para a galeria, na ruae na galeria ao mesmo tempo. Assim deve ser a arte urbana, para o público, em todas as suas instâncias, em todos os lugares.

 

 

ACONTECE EM ARTE

Exposição DANIELA ATRAVÉS DO ESPELHO de Daniela Antunes, com a curadoria de Mario Cladera. De 04 a 26 de agostode 2017, na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, Rua Dr. Montaury, 1333, Centro, Caxias do Sul.

Exposição NÃO SOMOS INVISÍVEIS! de Xadalu. Curadoria de Silvana Boone. De 08 a 28 de agosto de 2017, na Galeria de Arte do Centro de Artes e Arquitetura – Campus 8 – UCS,  Avenida Frederico Segala, 3099 - Bairro Samuara (RS 122, Km 69), Caxias do Sul.

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