Revista Acontece Sul

Vinhos

em Diversos - sexta, 18 de agosto de 2017

Estima-se que cada habitante brasileiro consome, em média, 
1,8 litros de vinho anualmente. É considerado baixo esse índice

 

OBrasil tem sustentado uma crescente melhora na qualidade de seus vinhos. Atingindo um sucesso cada vez maior na produção de rótulos, que priorizam a qualidade e a elegância, o país revela uma identidade própria e única em cada variedade elaborada pelas mãos de excelentes produtores. Apesar disso, o consumo de vinhos no país ainda é relativamente baixo.
São Paulo e Paraná merecem destaque na produção dos vinhos brasileiros, mas a maior parte da produção está concentrada no Rio Grande do Sul, com produtores distintos que, com muita dedicação e perseverança, buscam produzir quantidades limitadas dos vinhos que melhor reflitam o terroir e o clima de seus ótimos vinhedos.
Tem se adotado aqui no sul uma filosofia muito parecida com a dos pequenos produtores europeus representados pela Mistral. O talentoso enólogo Luis Zanini produz vinhos em estilo próprio, que buscam a tipicidade e a identidade regionais, sem tentar copiar os tintos de outros países da América do Sul. Por sua boa acidez - característica do clima e do solo - são vinhos talhados para acompanhar comida, e não para degustações. 
Apesar da supremacia gaúcha, ainda podem ser encontradas áreas vinícolas em Santa Catarina e no Nordeste. Em Santa Catarina, por exemplo, as uvas possuem maior concentração de aromas, graças ao amadurecimento mais lento que apresentam, condição influenciada pelas altitudes onde os plantios de vinhedos estão localizados, entre 900 e 1.400 metros em relação ao nível do mar.
Já no Nordeste, o maior destaque fica para a região do Vale do São Francisco. Ainda que a área sofra com a baixa incidência de chuvas, as plantações de uvas recebem sistema de irrigação artificial, podendo originar até duas safras por ano.
O Brasil cultiva em seus vinhedos diversos tipos de uvas estrangeiras, entre elas as castas tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Tannat, Pinot Noir, Gamay, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Syrah. Já no caso das uvas brancas, o destaque fica por conta das uvas Riesling, Sémillon, Chardonnay e Trebbiano, além da mais plantada entre todas as outras, a Moscato Branca.
O país tem sido bastante lembrado e comentado quando o assunto é vinhos espumantes. O clima tropical quente do Brasil é ideal para o cultivo de uvas ácidas, que denotam um caráter fresco e aromático para os rótulos que vem agradando os mais exigentes paladares dos especialistas.

 

Antes de mais nada é importante explicar que os apreciadores de vinhos e estudiosos do assunto são os “enófilos”. Aqueles que fazem os vinhos são os “enólogos”. E, por fim, aqueles que conhecem e cuidam do serviço dos vinhos nos bares, restaurantes e nas lojas são os “sommeliers”.
Essa divisão é importante no momento de buscar conhecimento, pois as escolas sérias são direcionadas para essas três vertentes, embora em um ponto elas todas convirjam: quem aprecia, faz e serve vinhos tem que ter “horas de taça” (assim como os pilotos precisam de horas de vôo para conseguir seus brevês) e muito estudo teórico.
A seguir listamos os diversos caminhos, seja para quem quer apenas saber um pouco mais sobre vinhos e fazer bonito na frente dos amigos; seja para quem quer ser o mais profundo dos conhecedores, ou um verdadeiro Master of Wine.
São diversos os cursos para iniciantes. O importante, no começo, é aprender e se divertir com o vinho.
Para os enófilos iniciantes, o leque de opções é grande, variando desde os cursos de iniciação ao mundo do vinho que estão hoje por toda a parte até as degustações dirigidas por grandes conhecedores, produtores e sommeliers. A SBAV (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho), por exemplo, que foi criada em 1980, promove cursos desde básicos até avançados e ainda muitos eventos relacionados ao vinho, como viagens a regiões vinícolas e diversas interações entre a bebida, a comida e a cultura. A ABS (Associação Brasileira de Sommeliers) também oferece cursos recreacionais.
Os que estão começando devem ter em mente que será necessário algum tempo de estudo a seco para entender um pouco da história, geografia, evolução e preparo da bebida - só o suficiente para dar uma base sobre aquilo que vai ser degustado. Depois de um curso básico é importante buscar as degustações dirigidas e até mesmo formar um grupo próprio de estudo - uma confraria, por exemplo -, que, além de ser uma reunião muito agradável, possibilita a troca de impressões e o compartilhamento de garrafas de valores e procedências diversas, sem que isso pese demais no bolso.
Outra opção para essas degustações (em que é possível encontrar apreciadores de todos os níveis) são as lojas, restaurantes e importadoras que as promovem para seus clientes. O objetivo é vender mais, no entanto esses encontros possibilitam o conhecimento dos rótulos diferenciados e, muitas vezes, uma benéfica aproximação com os produtores. É uma prática na qual os dois lados se beneficiam.

 

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