Revista Acontece Sul

O QUE ESPERAR DO PRÓXIMO

Por Cultura - Mara De Carli Santos em Diversos - sexta, 22 de dezembro de 2017

Mais um ano que finda. O que se poderá esperar do próximo? Pelo andar da carruagem dois mil e dezoito será, no geral, mais um ano de dificuldades econômicas, polarizações políticas em um ano de eleição, desigualdades, embates religiosos, falta de bom senso e uma violência exacerbada que perpassa todos os níveis de convivência, seja entre as pessoas ou entre as pessoas e a natureza. Uma visão pessimista? Não, apenas realista. Entretanto, para não acabar o ano rasgando o calendário o jeito é olhar para dois mil e dezessete e perceber que mesmo no contexto de coisas ruins, ainda assim, se pode receber “presentes” significativos. Que estes mimos podem ser dados a nós, sem que a própria pessoa saiba que nos presenteou.  

Tenho face a alguns anos e por costume passo o olho ao acordar e antes de dormir. Um péssimo hábito que, por vezes, me faz perder o sono. Pois, durante todo este ano fui surpreendida pelos escritos de dois amigos, Luiz Carlos Ponzi e Marilia Bergamaschi Rossi. Ele assumidamente um escritor, ela pode não se dizer uma, mas no meu entendimento, é sim uma escritora. Pois saibam que até estou correndo risco de morte por assim denomina-la à revelia. Desculpa amiga, a coloco nesta categoria por admirar o seu talento e criatividade. Sabe como é, quando entregamos nossas criações ao público, sobre elas perdemos a autonomia e o mando. 

Para quem aguçou a sua curiosidade procure segui-los no face e, vez ou outra, parar e se deliciar com os micro contos do Ponzi e as lembranças afetivas da Marília. Dois olhares muito criativos sobre acontecimentos da vida, entretanto muito diferentes na forma de contar o cotidiano vivido. Ele com três ou quatro linhas em textos muito irreverentes e bastante maliciosos, chamo-o de Bukowski. Ela com uma narrativa mais longa, sensível sem ser boba ou açucarada, dá de dez em muitas cronistas incensadas. Os dois divertidos, de um humor por vezes sarcástico. Donos das suas palavras, sabem como dizer o que querem e pela reação das curtições e comentários dos admiradores atingem os seus objetivos fazendo isto muito bem. Surpreenda-se também, pois pela quantidade de bobagens e fake news destes mecanismos de internet a produção literária dos meus amigos é, certamente, um alento e um diferencial.

O terceiro presente recebi numa tarde chuvosa de outubro, um dia antes do dia das crianças, em que o resultado da venda do livro TREZE de Jéssica De Carli, proporcionou o projeto Ciranda de Rua. Uma tarde especial que uniu grafiteiros da nossa cidade e adolescentes trazidos até o Teatro do Moinho da Estação pelo Instituto Sérgio Lovato. Naquela tarde, percebi que um mundo igualitário é possível e que as diferenças sempre existirão, mas se tornarão menores ou menos traumáticas se estiverem desmembradas de preconceitos e atitudes autoritárias e desmedida agressividade, de lado a lado. Uma tarde em que a palavra generosidade deu o tom, o respeito pelo outro foi o tema e o empenho pessoal e coletivo recebeu a nota máxima. Então, mais um ano que finda. O que se poderá esperar do próximo? Tomara seja uma grande Ciranda de Rua. Aos leitores um Feliz Natal e Ano Novo.

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