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CIDADE

Enviado em 11/05/2011

Caminhos da Colônia

Por Tiago Cidade

A simplicidade da vida na colônia em pleno século XIX

Caminhos da Colônia é um roteiro turístico que percorre estradas, ora de asfalto, ora de chão batido, de Caxias do Sul, passando por Otávio Rocha e chegando a Flores da Cunha. São aproximadamente 35 quilômetros repletos de belezas naturais que valorizam as tradições culturais da região da uva e do vinho e a preservação da arquitetura colonial da imigração italiana, revitalizando assim, as áreas rurais do interior dessas localidades. São igrejas do final do século XIX, vinícolas, parques naturais, moinhos, restaurantes, produtos coloniais e contadores de histórias. Lugares bucólicos e pitorescos que levam os visitantes ao encontro de autênticos descendentes dos imigrantes italianos, tradições, usos e costumes.
O percurso tem início em Caxias do Sul e passa por locais que já visitamos por aqui, como a Igreja de São Pelegrino, o Museu de Ambiência Casa de Pedra e o Parque da Festa da Uva. Então vamos começar nosso passeio na comunidade de Santa Justina.

Santa Justina / Igreja e Campanário

A localidade de Santa Justina teve sua colonização na mesma época das vilas e cidades da região e por uma série de fatores econômicos não evoluiu urbanisticamente.
Caracterizando-se como a região de maior produção de uvas de Caxias do Sul, Santa Justina divide com Flores da Cunha parte do seu território. A atual igreja está localizada em terras de divisa dos dois municípios, ficando a nave central em Caxias do Sul e o altar em Flores da Cunha.
O erguimento da primeira capela de tábuas rachadas aconteceu em 1893. O nome de Santa Justina foi uma espécie de homenagem a uma capela com o mesmo nome que existia em Vicenza, Itália. Em 1908 foi inaugurado um pequeno campanário de madeira.
Com o crescimento da localidade em 1937, foi iniciada a construção da atual capela, tendo sido escolhida uma comissão. Em 1941, presidida por Dom José Baréa, Bispo de Caxias do Sul, foi inaugurada a Igreja. Em 1958 foi construído o atual salão de festas, em dois pisos, onde se realizam as festas e, geralmente aos domingos, os agricultores se reúnem para passar o tempo jogando cartas.
Santa Justina hoje vive em função da atividade vinícola e o seu centro urbano, é uma mostra típica do início da maioria das vilas e cidades da região: a capela, o salão comunitário, a torre e o cemitério.
 

Flores da Cunha / Arquivo Histórico, Parque da Vindima Elói Kunz e Estátua do Galo

O roteiro prossegue agora por asfalto até atingir a cidade de Flores da Cunha. Ela nasceu a partir da imigração de 1877, quando chegaram ao atual município 30 famílias das regiões do Vêneto, Piemonte e Lombardia. Quando Caxias passou a ser município, em 1890 e foi subdividido em distritos, Nova Trento foi seu segundo distrito. Foi apenas em 1924, que Flores da Cunha conseguiu a sua autonomia política e os segundo e terceiro distritos, os povoados de Nova Pádua e Otávio Rocha, respectivamente foram elevados à categoria de vilas.
A vida em Flores da Cunha gira em torno da vitivinicultura. O município é o maior produtor de vinhos e uvas do Brasil. As videiras cultivadas pelos imigrantes e mantidas pelas novas gerações determinaram o perfil econômico e cultural do município. Uma tradição que não tem nada a ver com o título de “terra do galo”. O apelido, que na década de 30 era uma provocação desagradável aos moradores, foi assumido, nos últimos anos, como a marca do município. Tudo por causa de um certo mágico, que cobrou ingressos para um espetáculo público em que, segundo anunciava, faria um galo decapitado cantar, mas acabou fugindo com o dinheiro da bilheteria, sem completar a mágica. E o povo ficou esperando. Hoje a anedota incorporou-se ao folclore da região e o galo virou o símbolo de Flores da Cunha.
O prédio, onde está sediado o Museu e Arquivo Histórico, foi construído em 1954 com intuito de abrigar a Prefeitura Municipal, que funcionou neste local até 1984. Ainda em 1976, com a intenção de valorizar nossa cultura, foi inaugurado o Museu da Imigração, que por não possuir sede própria, foi fechado em 1978. Em 1985, tendo este prédio disponível, foram iniciadas obras para abrigar o acervo histórico do município. Assim, em 1986, o Museu foi reaberto passando a denominar-se: Museu e Arquivo Histórico Florense. No ano de 2003, através de uma iniciativa do Poder Executivo e Legislativo foi promovida a troca de nome, em homenagem ao ex-prefeito Pedro Rossi, primeiro prefeito eleito democraticamente no município, passando a denominar-se: Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi.

Museu e Arquivo Histórico
Avenida 25 de Julho, 1608 - Centro – Flores da Cunha – RS
Fone: (54) 3292.2777
Horário de atendimento:
Segunda à sexta das 8h às 11h30 e das 13 às 17h30
Localizado sobre uma colina, o Parque da Vindima Eloy Kunz, conta com vários Pavilhões, Restaurantes, palco externo, Memorial da Fenavindima e casas para vendas de produtos coloniais. É ainda rodeado de bosques, e é ali que são realizadas a Festa Nacional da Vindima – Fenavindima, a Mostra Flores, a Feira de Inverno, entre outros eventos. O parque proporciona uma bela vista panorâmica da cidade.
No local funciona ainda a Escola de Gastronomia-UCS/ICIF e o Núcleo de Produções Audiovisuais Maria Dalla Costa.
Nas décadas de 60 a 70, o apelido dado à cidade por conta da história do mágico e do galo, inspirou o empreendedor Eloy Kunz, que criou bebidas e uma pousada que usava denominações alusivas ao galo. A Prefeitura também passou a explorar o episódio e fez da imagem do galo uma parte oficial da assinatura de Flores da Cunha. Além disso, foi construída a estátua de um galo no Parque de Exposições da cidade.

Parque da Vindima Eloy Kunz
Avenida Vindima, 1000 – Flores da Cunha – RS
Fone: (54) 3292.1722
Horário de atendimento:
Mediante agendamento

 

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