CIDADE
Enviado em 11/07/2011
Estrada do Imigrante
Um retorno ao passado no caminho percorrido quando os primeiros imigrantes chegaram à Serra Gaúcha
Por Tiago Cidade
Estradas de chão, capelas feitas de pedra, grutas misteriosas. O século é o XXI, mas percorrer o roteiro Estrada do Imigrante é embarcar em uma máquina do tempo, como aquela de H.G Wells, e voltar dois séculos para trás. E ao contrário dos viajantes do escritor inglês, não se deparar com os morloks, seres que habitam as profundezas, mas com gente comum; gente que ajudou a construir um pouco da história da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Uma estrada que ainda está impregnada com as memórias desses imigrantes que aqui chegaram no século XIX. Vamos embarcar nessa viagem?
MUSEU CASA ZINANI / MEMORIAL DITÁLIA
Trata-se de uma edificação construída em madeira, com três pavimentos, que preserva o mobiliário, utensílios e ferramentas utilizado pelas famílias de imigrantes. Grande parte do material foi trazida da Itália por essas famílias.
No local, pode-se provar o tradicional colassión, o café da manhã colonial. O termo no vêneto significa “refeição da manhã”. Os descendentes de imigrantes italianos do Rio Grande do Sul preservaram o seu significado fazendo uma refeição reforçada por volta das nove horas, onde se tomava café com pão, salame, queijo, marmelada e até vinho. A colassión era servida no mesmo local de trabalho. Preparado pelos proprietários Ademir e Ivete Zinani, o café colonial da Casa Zinani tem aquele gostinho que só o café da colônia tem. Aproveite para viver a mesma experiência dos imigrantes fazendo a sua colassión junto á sombra de uma árvore, usufruindo da hospitalidade italiana com o atendimento direto pelos proprietários Ademir e Ivete Zinani.
MUSEU CASA ZINANI / MEMORIAL DITÁLIA
Capela São Pedro e São Paulo, 3° Légua – Distrito de Galópolis
Fone/fax: (54) 3026.8356 / Plantão: (54) 9948.6267
E-mail: casaszinani@zipmail.com.br
Serviços oferecidos: museu com peças originais da colonização italiana, café da colônia, venda de artesanato e produtos coloniais, pousada
Horário de atendimento:
Segunda à sexta-feira mediante agendamento
Sábado e domingo das 9h às 18h
VINÍCOLA GRUTINHA
A Vinícola Grutinha produz e comercializa produtos com a marca Adega Tradição para sua linha de vinhos finos Melot, Moscato e Cabernet Sauvignon. Possuem características ricas em aroma, sabor, cor e textura inigualáveis. Os vinhos são completamente distintos, e de personalidade própria dos melhores vinhos da Serra Gaúcha. O destaque especial para a qualidade destes vinhos decorre do cultivo das uvas, em vinhedos próprios e centenários, até seu engarrafamento e envelhecimento nas caves da vinícola. Nas caves as bebidas permanecem por longo período em temperatura de ambiente fresco, sem a presença de luz e na posição horizontal. Estes processos, junto a outros detalhes, fazem o sucesso dos vinhos Tradição, que não está só no rótulo, mas na maneira de fazer a bebida.
VINÍCOLA GRUTINHA
Travessão Santa Rita, 3° Légua - Distrito de Galópolis
Fone/fax: (54) 3026.8340
Site: www.vinhostradicao.com.br
Serviços oferecidos: visitação à vinícola, produção, degustação e venda de derivados da uva
Horário de atendimento:
Segunda-feira a domingo das 9h às 18h
IGREJA DE PEDRA SACRO CUORE DI GESÚ E MARIA
A Capela dos Sagrados Corações de Jesus e Maria está localizada na comunidade de mesmo nome, no travessão Santa Rita da 3ª Légua. Foi inaugurada em 1892, depois de 11 anos de trabalho comunitário para a sua construção. A capela foi fruto de uma promessa realizada pelo imigrante italiano Giuseppe Giacomelli, que antes de migrar para o Brasil, lutou na guerra do Império Austro - Hungárico durante sete anos. Giacomelli esteve três anos na Marinha e quatro no Exército como tenente de artilharia. Foi ferido oito vezes, perdendo meio calcanhar do pé esquerdo. Viu seus dois irmãos e suas irmãs freiras enfermeiras morrerem. Como era devoto do Sagrado Coração de Jesus e Maria, fez uma promessa de que, acaso saísse vivo da guerra, construiria um santuário para os Sagrados Corações, cumprindo sua promessa. A Capela é uma das mais antigas de Caxias, totalmente construída em pedra, com imagens trazidas da Itália. O piso é original, em cerâmica artesanal, com argila trazida em lombos de mulas do vale do Caí. Atrás da Capela encontra-se o cemitério dos imigrantes e da comunidade. É um dos pontos turísticos mais visitados do Roteiro Turístico Estrada do Imigrante e fica ao lado da Vinícola Grutinha,
IGREJA DE PEDRA SACRO CUORE DI GESÚ E MARIA
Travessão Santa Rita, 3° Légua – Distrito de Galópolis
Fone/fax: (54) 3026.8340
Serviços oferecidos: visitação a igreja com santos vestidos
Horário de atendimento:
Segunda-feira a domingo das 9h às 17h
GRUTA NOSSA SENHORA DE LOURDES
Durante muitos anos, as caçadas foram costume presente entre os imigrantes. Em uma dessas caçadas, encontraram uma gruta natural incrustada nas pedras, próximo a uma bela cascata, visível ainda nos dias atuais. O lugar era de difícil acesso. Entraram em contato com o bispo da época, Dom José Baréa, pedindo permissão para construir dentro da gruta uma igreja em homenagem à Nossa Senhora de Lourdes. O bispo teve acesso a gruta da mesma forma que os demais colonos, descendo por uma corda. Autorizado pelo bispo, o local começou a ser limpo, onde foram retirado pedras, galhos e outros obstáculos naturais. Durante dois anos, em todos os domingos, os moradores se reuniram para trabalhar na limpeza da gruta. A capela foi inaugurada no dia 09 de outubro de 1949. Para facilitar o acesso, foi construída uma escadaria com 150 degraus. No local são celebradas missas aos domingos, oferendas aos orixás, escalada em rapel. Todo ano, no mês de fevereiro, é realizada a Festa da Gruta. As visitas são livres. Aos domingos, pode-se almoçar no local, onde também são vendidos produtos coloniais.
GRUTA NOSSA SENHORA DE LOURDES
Travessão Santa Rita, 3º Légua - Distrito de Galópolis
Fone/Fax: (54) 3026.8343
Serviços oferecidos: visitação, turismo de aventura, ecoturismo, missa e restaurante
Horário de atendimento:
Sábado das 13h às 20h
domingo das 7h às 20h
CASAS BONNET
Depois de algum tempo morando no Rio de Janeiro, o imigrante francês Henri Bonnet foi acometido por uma doença estranha. O médico lhe disse que a cidade era muito quente e recomendou que seria bom para a sua saúde morar em um local mais frio. Bonnet sabia que a bordo de muitos navios que passavam pelo Rio de Janeiro, viajavam imigrantes italianos que se dirigiam ao sul do país, onde o clima é mais frio.
Aproveitou a oportunidade e embarcou em um deles.
Ao chegar aqui em 1877, Bonnet construiu uma casa. Por volta 1879 construiu uma bem maior. Como por aqui passavam levas inteiras de imigrantes a caminho de Caxias do Sul, decidiu montar um armazém de secos e molhados. Ali, os viajantes podiam comer e descansar, antes de seguir viagem morro acima. Naquela época, as casas, eram feitas de pedras e barro, material encontrado em abundância na região.
A Casa Bonnet possui divisórias em madeira e a sustentação do assoalho, no primeiro piso, é feito com troncos inteiros de pinheiro e canjeranas. Ela foi construída exatamente sobre uma laje de pedra. Bonnet abriu um poço dentro de casa, e por muito tempo serviu-se desta água. Por ser grande e espaçosa, esta casa foi usada para as festas e os casamentos da comunidade.
Em 1947, Luis Tonietto comprou a propriedade de Osvaldo Boff. Por mais de 17 anos a casa ficou abandonada, servindo apenas de paiol. Hoje, ela pertence a seu filho Alcides Luca Tonietto. Os filhos de Alcides - Gladimir, Egídio, e José Carlos - resolveram reabrir este espaço. Ele resgata a cultura que nossos antepassados deixaram e representa um valioso patrimônio histórico da imigração Italiana no sul do Brasil.
CASAS BONNET
Capela São Luiz, 3° Légua – Distrito de Galópolis
Fone/fax: (54) 3026.8410 / Plantão: (54) 9988.2426
E-mail: casasbonnet@hotmail.com
Serviços oferecidos: visitação, apresentações artísticas, passeio de carretão, restaurante
Horário de atendimento:
Mediante agendamento
