CIDADE
Enviado em 02/08/2011
Patrimônio de todos os caxienses
Por Marcos Kirst
Igreja Matriz de Galópolis foi tombada pelo município de Caxias do Sul como forma de preservar e conservar a estrutura física que representa a fé de uma comunidade
A comunidade residente na Região Administrativa de Galópolis, de Caxias do Sul, sempre orgulhou-se positivamente da beleza arquitetônica e do significado histórico representados pela Igreja Matriz situada no coração daquela área do município. Desde o ano de 2009, no entanto, essa admiração ganhou reconhecimento oficial por parte da municipalidade, com a oficialização do tombamento de toda a sua estrutura, que passou a ser patrimônio histórico e cultural do município.
A declaração de tombamento foi assinada naquele ano pelo próprio prefeito José Ivo sartori, durante missa realizada na Matriz, celebrando o ato. A Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, como é conhecida, é um dos templos mais belos e imponentes existentes em toda a região, e a iniciativa por encaminhar seu tombamento partiu da própria comunidade local, que desenvolveu todos os trâmites burocráticos junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc).
O valor histórico e cultural da construção é inegável, basta conhecer um pouco de sua história para perceber o acerto da decisão do tombamento, atitude que garante a preservação e conservação do prédio, contando para isso com o comprometimento da comunidade. O povoamento da região que viria mais tarde a ser conhecida como Galópolis, localizada a 10 quilômetros de Caxias do Sul, iniciou-se a partir de 1876, com a chegada das primeiras levas de imigrantes italianos à Serra Gaúcha. Mas o maior afluxo de moradores deu-se a partir de 1898, quando é fundado ali o Lanifício São Pedro, por imigrantes operários provenientes de Schio, na Itália, atraindo moradores em busca de trabalho e melhores condições de vida.
Como acontecia em todas as novas povoações originadas da vinda de imigrantes italianos, o surgimento de uma capela ou uma igreja era ato natural e imediato, para atender às demandas decorrentes da profunda religiosidade das famílias dos colonizadores. Galópolis também possuía a sua pequena igreja. Porém, o desenvolvimento acelerado da região tornou o templo pequeno demais para atender ao crescimento da população local, exigindo que providências fossem tomadas no sentido de sua ampliação já no final da década de 30 do século passado. Foi então que tiveram início os trabalhos de mobilização para a construção de uma nova igreja, que viria a se transformar na atual matriz, hoje tombada.
Um projeto definitivo para a sua construção foi apresentado em 29 de junho de 1938, de autoria dos engenheiros Sadi Fernandes de Castro e Luis Lasegneur de Farias, sob orientação de Dom José Baréa, primeiro bispo de Caxias do Sul. A pedra fundamental foi lançada e abençoada em 15 de janeiro de 1939, em solenidade que contou com a presença de várias autoridades caxienses. Na pedra fundamental foi colocada a ata do evento, acompanhada por algumas moedas da época e por edições dos principais jornais do estado do Rio Grande do Sul. A comissão construtora da igreja era presidida pelo vigário Padre João Gollo e era constituída ainda por Benjamin Furlan, Bruno Scola, João Comerlato e João Laner Spinato.
As obras de construção da igreja duraram oito anos, com a inauguração ocorrendo nos dias 1º e 2 de março de 1947, em cerimônia que contou com a presença do então núncio apostólico Dom Carlo Chiarlo. Na noite do primeiro dia de eventos, foi realizado o traslado do Santíssimo Sacramento da igreja velha para a nova matriz, em uma procissão luminosa que contou com a participação de cerca de cinco mil pessoas. No dia seguinte, outra grande procissão foi realizada para transladar as imagens da antiga igreja para o novo templo.
A originalidade e a imponência de suas linhas arquitetônicas chamam a atenção dos visitantes que chegam à Igreja Matriz de Galópolis. Suas dimensões se apresentam em 43 metros de comprimento, 27 metros de largura, 15 metros de altura interna e uma torre de 40 metros de altura, em cujo topo está uma imagem de Nossa Senhora de Pompéia, de 4,8 metros. No interior da igreja, além do majestoso altar-mor e do arco que se curva sobre o altar, chamam a atenção 19 vitrais alemães. Em quatro desses vitrais estão representados os evangelistas, sendo que os demais 15 vitrais representam o cenário bíblico dos mistérios do rosário, obras do artista Max Dobmeyer, formado em Munique.
As origens de Galópolis
O povoamento da região tem início em 1876, com a chegada dos primeiros imigrantes italianos, majoritariamente colonos que se dedicam à plantação e à criação de animais. Por causa de suas características geográficas peculiares, situada em meio aos morros, a primeira denominação do então distrito era “Vale Del Profondo”. Também foi conhecido como Cascata da Quarta Légua, Desvio do Morro e Le Machine, esta última denominação derivada da chegada, em 1891, de imigrantes operários vindos de Schio, na Itália, que em 1898 fundaram ali um pequeno lanifício.
O empreendedor Hércules Galló adquiriu o lanifício no ano de 1904, e promoveu uma profunda reestruturação no empreendimento que, na época, passava por graves dificuldades financeiras e administrativas. Em 1911, Galló firmou sociedade com os irmãos Chaves, marcando o início de um período de crescimento do empreendimento, que trouxe consigo desenvolvimento àquela região do município. Não demorou para a região abandonar a denominação de Vale Del Profondo para passar a se chamar Galópolis, em homenagem ao empreendedor de sucesso que colaborou decisivamente para o desenvolvimento daquela comunidade.
A Igreja:
Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia
Fone: (054) 3284 1264
Endereço: Antônio Chaves, 102 - Galópolis - Caxias do Sul - RS
CEP: 95030-090 - Caixa Postal:
E-mail: paroquiadegalopolis@yahoo.com.br
Site: www.diocesedecaxias.org.br
Pároco: Padre João Roberto Masiero
Horários das missas:
Terças-feiras: 15h
Quartas, quintas e sextas: 17h
Sábados e domingos: 18h
Obs: Horários válidos durante os meses de inverno
