LADO B
Enviado em 03/06/2011
Carlos Roberto Noll
Experiência de Comando Sinalizando os Rumos do Trânsito em Caxias
Por Marcos Kirst
Foi um acidente de percurso – literalmente – o que colocou Caxias do Sul no horizonte e no destino do então jovem cadete da Brigada Militar Carlos Roberto Noll, em meados de 1974. Ainda cadete do Curso de Formação da Brigada Militar em Porto Alegre, o jovem de 22 anos, nascido em Montenegro, aproveitava um período de férias dos estudos para realizar uma empreitada que culminaria no sonho de assistir ao vivo uma corrida de Fórmula-1 em São Paulo, no circuito de Interlagos. Ele e um colega de curso haviam preparado a viagem e rumavam de carro pelas estradas serranas, dando início à viagem. Porém, sofreram um acidente nas imediações de São Marcos e tiveram de permanecer por cerca de cinco dias em Caxias do Sul enquanto o veículo era consertado. “Foi aí que conheci e me apaixonei pela cidade”, relata o hoje Diretor Geral da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade de Caxias do Sul.
O imprevisto impediu que Noll e seu colega assistissem ao vivo a mais uma dobradinha brasileira no pódio em Interlagos, com José Carlos Pace em primeiro e Émerson Fittipaldi em segundo lugar – Émerson sagraria-se bicampeão mundial ao final da temporada daquele ano. No entanto, serviu para definir o cenário no qual Noll desenvolveria a carreira profissional e construiria grande parte de sua biografia, envolvendo-se com o cotidiano de uma comunidade que passou a ser também sua. Hoje na reserva da Brigada Militar, atua à frente da secretaria municipal que tem justamente a tarefa de encontrar soluções para que o trânsito no município seja cada vez mais racional e humano. O acidente ocorrido há quase quatro décadas pode ter sido apenas uma artimanha do Destino, para o bem do protagonista e de toda a comunidade.
Carlos Roberto Noll nasceu em 11 de abril de 1952 em Montenegro, filho mais velho de Ney Noll e Elvira Edith Noll. O pai trabalhava na construção de hidráulicas pelas cidades do interior do Estado, o que fez a família (composta ainda pelos irmãos João Alberto e Vera Maria) mudar-se várias vezes de cidade. Canoas, Bento Gonçalves, Garibaldi e Guaporé figuram como municípios que compuseram os cenários da infância e adolescência de Noll, especialmente os dois últimos. Participar do desfile de 7 de Setembro pelas ruas de Garibaldi trajando uniforme de marinheiro, quando ainda estava no jardim da infância, com cerca de quatro anos de idade, é uma das lembranças mais remotas que ele consegue evocar. Aos 17 anos de idade, concluídos os estudos escolares, decide ir a Porto Alegre ingressar no curso que o prepararia para ser oficial da Brigada Militar. “Ninguém na minha família havia seguido a carreira militar, mas eu havia conversado com um amigo que era cadete e havia comparecido a um baile de gala todo uniformizado. Ele me explicou como era e eu decidi optar pela carreira”, revela Noll. Alguns indícios de que essa poderia mesmo vir a ser a sua vocação profissional já estavam presentes durante a infância, uma vez que a mãe costumava recordar que ele dizia, de menino, desejar um dia ser o “chefe dos Pedro e Paulo”, adjetivação popular comum que designava os brigadianos nas décadas de 60 e 70.
Terminada a formação e declarado Aspirante a Oficial em final de 1974, Noll não tem dúvidas em solicitar aos seus superiores que fosse designado para atuar em Caxias do Sul, cidade na qual havia decidido residir desde o acidente no início daquele ano. Tendo o pedido atendido, transformou-se no primeiro comandante do recém-criado Pelotão de Choque do 12º BPM de Caxias do Sul. A partir daí, Noll dá início a uma movimentada carreira dentro da Brigada Militar que vai sendo coroada por sucessos decorrentes de sua dedicação, sua competência e o empenho que segue conferindo aos estudos e à constante formação. Em maio de 1975, é designado a assumir o comando do Pelotão da BM em Canela, que pertencia a Caxias do Sul e também respondia pelos municípios de Gramado e Nova Petrópolis.
Em janeiro de 1976, surge um novo desafio: retorna a Caxias, mas dessa vez para assumir a Tesouraria do 12º BPM. A fim de desempenhar com mais competência as novas tarefas, decide ingressar no curso de Contabilidade da Universidade de Caxias do Sul, curso que concluiria posteriormente em 1983, na PUC de Porto Alegre. Isso porque, no final de 1976, já havia sido destacado para a Academia de Polícia Militar na Capital do Estado, novamente na função de Tesoureiro. Em 1981, é alçado ao cargo de Fiscal Administrativo da Academia de Polícia Militar, onde permanece até o final de 1984. Durante todo o período em que permaneceu atuando em Porto Alegre, Noll também dedicou-se à formação dos novos brigadianos, tornando-se instrutor do Curso de Formação de Oficiais da Academia de Polícia Militar, de 1977 até 1985.
Sua notada capacidade de atuação tanto no comando de tropas nas ruas quanto nos serviços administrativos internos acaba lhe abrindo portas em ambas as áreas dentro da Brigada. No final de 1984, sua Montenegro natal retorna à cena, quando é designado para assumir a função de Fiscal Administrativo no Batalhão daquele município. Meio ano depois, assume o comando da 1ª Companhia do BPM de Montenegro, retornando ao trabalho nas ruas. Mas uma nova guinada estava prestes a acontecer quando, em junho de 1989, um de seus superiores é convidado para assumir a chefia da Casa Militar do Palácio do Governo, na administração de Pedro Simon. “Fui chamado para ser o ajudante-de-ordens do Chefe da Casa Militar, em Porto Alegre, experiência que me proporcionou uma nova visão da gestão política da coisa pública”, recorda Noll. Foi durante esse período, inclusive, que Noll conheceu o então secretário estadual de Habitação, José Ivo Sartori, que lembraria dele anos mais tarde, ao montar sua equipe de governo na prefeitura de Caxias do Sul.
A oportunidade de voltar para a Serra gaúcha reaparece em janeiro de 1991, quando Noll assume o comando da 1ª Companhia da Polícia Militar do 12º BPM de Caxias do Sul. É onde vai dar sequência à sua trajetória dentro da Brigada até pedir para ir para a reserva, em abril de 1997. Durante toda essa trajetória, houve naturalmente as promoções, que ocorreram em 1975, quando chegou a segundo-tenente; primeiro-tenente em 1977; capitão em 1981; major em 1992 e tenente-coronel em 1995. Inquieto e sempre pensando no futuro, Noll aproveitou seu retorno a Caxias para voltar aos bancos universitários e graduou-se em Direito pela UCS em 1994, o que lhe permitiu abrir um escritório de advocacia após a reforma. É nessa área que vai atuar até janeiro de 2005, quando aceita o convite feito pelo prefeito José Ivo Sartori para assumir o cargo de Diretor Executivo de Trânsito da Secretaria Municipal de Transportes e Mobilidade Urbana do Município de Caxias do Sul. Em julho do ano passado, passou a ser o Diretor Geral do órgão, onde está até hoje.
A implantação dos vários módulos da Brigada Militar em bairros e locais estratégicos como o Parque dos Macaquinhos, a Festa da Uva e o Parque Cinquentenário é uma das iniciativas que marcaram o período em que Noll atuou à frente da Brigada em Caxias, nos anos 90. Também ficou marcada em sua memória o apoio que teve da comunidade e da imprensa, o que resultou em uma aproximação crescente que ampliou as condições de segurança na cidade. “A Rádio São Francisco tinha um programa que era feito com a chamada ‘Rádio Móvel’, em que eles iam até a minha casa todas as manhãs, por volta de oito horas, e me colocavam no ar falando sobre segurança com a população”, recorda Noll. A audiência foi tão grande que o programa passou a ser transmitido diretamente do estúdio da emissora, abordando segurança pública. Daquela época, Noll não esquece do aroma e do sabor do cafezinho servido pela Dona Iva, na Rádio são Francisco.
Mas não se resume a estudos e trabalho a vida de Carlos Roberto Noll. Em 1977, casou-se com a caxiense Sônia Maria Perozzo Noll, união da qual vieram os filhos Rodrigo Perozzo Noll (nascido em 1979) e Vanessa Perozzo Noll (nascida em 1982). A vida em família é intensa, sempre que os compromissos profissionais permitem. Normalmente levanta da cama por volta de seis da manhã e, antes mesmo de tomar o café, dedica-se à prática de esportes. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, faz natação e, nas terças e quintas, alterna entre esteira e bike indoor, em casa mesmo. As bicicletas, por sinal, configuram uma das paixões de Noll desde a infância. Quando criança, ganhou de presente do pai uma bicicleta Júpiter aro 22. “Aonde eu ia, a bicicleta ia junto”, recorda. O entusiasmo com a nova bicicleta era tão grande que certa vez, ainda em Guaporé, descia desabaladamente uma ladeira a bordo de sua Júpiter e entrou no meio de uma carreta que era puxada por uma parelha de mulas. Pelo que se lembre, ninguém saiu ferido e o incidente não gerou trauma algum. Tanto é assim que segue até hoje se dedicando ao ciclismo, praticando mountain bike nos finais de semana pelas estradas do interior.
Depois das atividades físicas, toma o café da manhã normalmente escutando os programas noticiosos das rádios locais e lê os jornais, dirigindo-se à Secretaria de Trânsito já informado sobre os principais acontecimentos da cidade, do país e do mundo. À noite, em casa, aprecia também assistir às notícias na televisão e fica atento à programação de filmes. Sintoniza bastante o canal 23 da tevê a cabo, com programação voltada a questões jurídicas, por meio da qual mantém-se atualizado em relação aos temas que sua formação em Direito lhe desperta a atenção. Junto à Secretaria de Trânsito, envolve-se diretamente nas questões relativas ao controle do tráfego no município, bem como à fiscalização e aos aspectos envolvendo a segurança no trânsito. Apaixonado pelo que faz, conhece os meandros da Secretaria desde a sala de controle de semáforos até a oficina em que placas e sinais são confeccionados. Dedicação, disciplina, empenho e paixão sempre foram os elementos que lhe permitiram o sinal verde para a construção de uma biografia voltada à melhoria do cotidiano das comunidades em que atua.
