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LADO B

Enviado em 10/09/2010

Fúlvia Stedile Angeli Gazola:

Uma Empresária do Século XXI

Por Marcos Kirst

Envolvida com uma agenda repleta de atividades decorrentes da empresa que administra e das entidades de que participa, a empresária caxiense prioriza o papel de mãe de Antonia, representando com competência o papel da moderna mulher ocidental

Mulheres empresárias proativas, líderes em suas áreas de atuação, constantemente em busca de aperfeiçoamento, hábeis na capacidade de pilotar uma agenda pessoal e profissional lotadíssima são personagens cada vez mais comuns na configuração das modernas sociedades ocidentais nas quais o sexo feminino consolida as conquistas de uma revolução social comportamental em permanente andamento. Em Caxias do Sul, a empresária, mãe e esposa Fúlvia Stedile Angeli Gazola é uma das mais conhecidas representantes dessa moderna geração de mulheres que vêm transformando o perfil do planeta nas últimas décadas por meio da contribuição decorrente do emprego de seus talentos na construção de uma sociedade mais plural, criativa e transformadora.
À frente da Dolaimes Comunicação e Eventos enquanto uma das sócias-diretoras da empresa – uma das mais reconhecidas e consolidadas da região na área -, Fúlvia vem ampliando e aprofundando o legado construído pelo sonho de sua mãe, Dolaimes Maria Stedile Angeli, que fundou o empreendimento no ano de 1987 e que hoje já se transformou em marca de qualidade e competência no mercado da comunicação. Determinada a estudar e seguir uma carreira profissional desde os tempos de menina brincando na rua com os irmãos e os primos, Fúlvia traz no currículo uma trajetória de atividades e estudos que culminaram naturalmente na conquista do posto que hoje administra como empresária de sucesso no mercado.
Nascida em data patriótica, no Dia do Soldado (25 de agosto de 1968), Fúlvia detecta possibilidade de influência psicológica da efeméride em sua vida talvez no senso de organização que recorda possuir desde menina. “Aliás, lá em casa a gente brincava com as datas de nascimento dos irmãos, pois todos nascemos em datas patrióticas”, recorda a empresária, e explica: além dela, que é a primogênita, a irmã Franca nasceu em 9 de janeiro, o “Dia do Fico” (quando o Imperador Dom Pedro I resolveu permanecer no Brasil ao invés de obedecer às ordens de retornar a Portugal, em 1822) e o irmão Sandro nasceu em 7 de setembro, Dia da Pátria (proclamação da Independência do Brasil, também em 1822). “Uma família patriótica, com amor pelo Brasil”, emenda Fúlvia. “Além disso, somos todos os três de signos da terra no zodíaco: touro, virgem e capricórnio”, ressalta, divertida.
A infância em Caxias do Sul, com os irmãos e os pais Dolaimes e José Fiorindo Angeli, foi marcante e repleta de recordações típicas de quem nasceu na década de 60 e depois mudou de cidade no início da juventude para ingressar na universidade. “Nós e nossos primos fomos crianças ativas e tenho boas recordações daquela época. Andávamos de bicicleta na rua ali no bairro Lurdes; montávamos banquinha na calçada na frente de casa para vender gibis velhos com direito a suco e nos divertíamos”, relembra.
Nos verões, durante os períodos de férias escolares, Fúlvia, os irmãos e os primos passavam os meses de dezembro a março na chácara do avô (Francisco Stedile, fundador da empresa Agrale), imersos no contato com a natureza. “Era uma festa. Praticamente nos mudávamos para lá enquanto nossos pais permaneciam trabalhando na cidade. Tirávamos leite de vaca, brincávamos de pés no chão direto na terra, nadávamos no lago, subíamos nas árvores, esfolávamos os joelhos, um pacote completo. São experiências importantes de vida que acho que a gente precisa lembrar de também proporcionar aos nossos filhos”, explica a mãe da Antonia, de dez anos de idade, filha do casal Fúlvia e José Rodrigo de Queiroz Gazola, o “Zeca”.
Como era comum naquela época, Fúlvia fez o jardim da infância e o pré-primário na Escolinha Recreio Travesso, ligado ao Recreio da Juventude: “fui da segunda turma da escolinha, uma vez que minha mãe também já trabalhava fora de casa”, recorda. Depois, estudou os dois primeiros anos primários na Escola Presidente Vargas e completou o Ensino Fundamental (na época, primeiro grau) no Colégio do Carmo. “O segundo grau eu fiz no São José, cursando Magistério. Depois cheguei a cursar o primeiro ano da Faculdade de Direito na Universidade de Caxias do Sul, mas como minha meta já era entrar na área de Comunicação Social, acabei indo para Porto Alegre estudar Publicidade e Propaganda na Famecos, da PUC”, recorda.
A meta de fazer carreira na área das ciências humanas transformou-se em decisão quando Fúlvia, aos 13 anos de idade, acompanhou a mãe, Dolaimes, em uma viagem a Porto Alegre e visitou a famosa agência de publicidade e propaganda Martins e Andrade. “Conheci o funcionamento de uma agência de PP e achei aquilo o máximo. Foi quando tomei a decisão de que era aquilo que eu queria para a minha vida”, revela.
Entre os anos de 1986 e 1990, morou na Capital do Estado, enquanto cursava a faculdade, vivenciando a experiência enriquecedora de sair da casa dos pais e morar sozinha, passando a aprender a administrar sua própria vida. “No primeiro semestre em Porto Alegre, morei em um pensionato administrado por freiras. Mas minha ambição era dividir um apartamento com alguma amiga, para ter mais privacidade. Meus pais concordaram com a proposta, desde que eu me encarregasse de encontrar o apartamento e também a amiga”, explica Fúlvia. “Aquilo foi um ótimo aprendizado para a vida pessoal, pois tive de agir por conta própria, pegando chaves de apartamentos em imobiliárias e atravessando a cidade de ônibus até achar o local e também a amiga com quem dividir o apartamento”, relata. Mais tarde, os irmãos mais novos também foram migrando para Porto Alegre e passaram a morar todos juntos em outro local.
Fúlvia formou-se em 25 de julho de 1990 em Porto Alegre e, três dias depois, casava-se em Caxias do Sul com o antigo namorado de infância, o empresário do ramo de comércio exterior José Rodrigo de Queiroz Gazola (o Zeca, hoje com 45 anos), formado em Administração de Empresas. O relacionamento teve início quando Fúlvia tinha 14 anos de idade. “Era o período dos bailes de debutantes que movimentavam a cidade naquele início dos anos 80, e eu participei de quase todos. Conheci o Zeca no baile do Juvenil e convidei-o para ser meu par alguns dias depois no baile de debutantes do Recreio da Juventude. Ele aceitou e começamos a namorar mesmo no terceiro baile, logo depois, no Guarany”, conta Fúlvia. A lua-de-mel mesclou-se com uma mudança motivada por oportunidade de trabalho para Zeca, e, quatro dias depois do matrimônio, em primeiro de agosto, o casal embarcava para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde morariam durante quatro anos.
O período vivido nos Estados Unidos caracterizou-se como uma nova escola de aprendizado para Fúlvia especialmente na arte de negociação com clientes de todas as partes do mundo, uma vez que ela passou a trabalhar junto com o marido em um trade de exportação. “Além de aperfeiçoar meu domínio na língua inglesa, aprendi a lidar com clientes e fornecedores de todas as partes do mundo, o que me proporcionou uma desenvoltura fundamental para mais tarde gerenciar pessoalmente o meu negócio”, revela a empresária.
O retorno dos EUA deu-se no início de 1994, motivado especialmente devido à descoberta da doença da mãe de Fúlvia, Dolaimes, que viria a falecer em abril de 1995. Desde a fundação da Dolaimes Comunicação e Eventos, em 1987, Fúlvia já integrava o quadro de sócios, mas só veio a atuar de fato na empresa a partir do retorno dos Estados Unidos. Desde o início, Fúlvia passou a envolver-se com o cotidiano do empreendimento de maneira profunda e profissional, dando sequência ao conceito de trabalho criado por sua mãe, cujo exemplo e legado permanecem vivos no dia-a-dia da empresa e no coração dos familiares, amigos e colegas que com ela conviveram.
Tanto é assim que Fúlvia não se furta de ressaltar um fato simbólico e marcante ocorrido logo após o falecimento de Dolaimes. “A mãe faleceu numa sexta-feira, dia 28 de abril, e na segunda-feira seguinte havia uma reunião agendada com um cliente. Eu não cancelei a reunião, e, ao comparecer, o cliente me disse: ‘Eu sabia que tu virias. Tu és mesmo filha da Dolaimes’’, recorda, emocionada. “Tenho certeza de que a mãe iria desejar que eu mantivesse a reunião, uma vez que ela nos legou um espírito de alta postura profissional e responsabilidade”, complementa. Atualmente, Fúlvia divide o cargo de direção da Dolaimes Comunicação e Eventos com a sócia Daniela Fiorese Lucchese, à frente de uma consolidada empresa moderna, com modelo de gestão integrada e atendendo a clientes de toda a região e de várias partes do país.
Fúlvia tem também no currículo uma pós-graduação em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em 1999. Atualmente exerce (em segundo mandato) o cargo de vice-presidente de Serviços da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, entidade em que atua desde 1994, tendo sido diretora de Comunicação e Marketing. Foi presidente da Associação Brasileira de Empresas Organizadoras de Eventos (ABEOC-RS), gestão 2008/2009, sendo hoje presidente do Conselho Fiscal da gestão 2010-2011.
Foi membro-fundadora e primeira presidente do Conselho da Mulher Empresária-Executiva da CIC (1997-1999) e da Confraria do Champanhe da Serra Gaúcha (1997). Integra o Conselho de Administração do Grupo Francisco Stedile, como conselheira-assistente, e é membro suplente do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul, representando a CIC. Participou da fundação do Convention Bureau de Caxias do Sul (2007), foi conselheira do Comtur (1995-2007) e do Conselho do Instituto Bruno Segalla (2007). Atuou na SER Caxias como vice-presidente social (1999-2000) e na diretora de Marketing do clube (2007). Foi homenageada com o Prêmio Sou de Atitude, da Associação Criança Feliz em 2007; como Mulher Empreendedora 2008, pelo Conselho da Mulher Empresária/Executiva da CIC Caxias do Sul; com a Medalha Monumento Nacional ao Imigrante 2008, pela Prefeitura de Caxias do Sul; com o Troféu Dia Internacional da Mulher 2008, pela Assembleia Legislativa do RS.
Por meio da atuação na Dolaimes Comunicação e Eventos, apoiou uma série de entidades do terceiro setor, educação e meio ambiente: Liga Feminina de Combate ao Câncer, Cruz Vermelha, Associação Criança Feliz, Anjos Voluntários, Apae, Apadev, CAIC Dolaimes e Projetos Girassol, entre outras. Foi idealizadora do Evento Enogastronômico Divina Cozinha, lançado em 1998, que se realiza até hoje em Caxias do Sul. Apresentou programas na TV Bandeirantes (Porto Alegre), na UCS TV e na Rádio São Francisco e foi comentarista da Rádio Caxias. É comentarista do jornal radiofônico diário Acontece, transmitido pela Rádio São Francisco SAT.
Imersa em tantas atividades, o dia típico de Fúlvia tem início por volta de sete horas da manhã, quando acorda, toma o café da manhã e, antes de envolver-se com qualquer compromisso de ordem profissional ou pessoal, dedica-se a organizar o dia da filha. “Minha prioridade hoje é a Antonia. Ela vem antes de qualquer outra atribuição”, salienta a mãe e empresária. Assim que chega à empresa, dá início ao cumprimento da agenda composta por compromissos como reuniões internas, com clientes, definição de projetos, planejamento estratégico, compromissos em entidades etc. Para informar-se, não abre mão da leitura de jornais e revistas e também da leitura de sites de notícias pela internet.
Sempre que possível, nas horas de folga dedica-se à leitura de livros, hábito que cultiva desde a infância e acompanha toda a sua vida. “Tenho livros sendo lidos espalhados por todos os cantos da casa e no escritório. Sempre tenho uma leitura à mão”, revela a leitora de romances de Agatha Christie, Lya Luft, obras sobre marketing e desenvolvimento empresarial. “Também adoro cinema. Quando namorávamos, o Zeca e eu curtíamos muito ir ao cinema. Depois, recém-casados, íamos ao cinema todos os finais de semana em Los Angeles. Hoje em dia, assisto a muitos filmes infantis junto com a Antonia”, informa. Um dos mais recentes a que assistiu com ela foi a produção francesa “O Pequeno Nicolau”, baseada no livro infanto-juvenil escrito por René Goscinny (criador de Asterix) e ilustrado por Sempé.
Como toda a mulher moderna do século XXI, a atividade de mãe é desempenhada com a mesma dedicação e paixão direcionada ao âmbito profissional. Talvez um pouquinho mais, se é que isso pode (e se tem por quê) ser medido. No final, mãe, esposa e empresária se retroalimentam no dia-a-dia, resultando na cidadã complexa e ativa que é a mulher dos dias atuais, grupo ao qual Fúlvia Stedile Angeli Gazola pertence como uma das mais genuínas representantes.
 

 

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